Cólicas: O Conceito Mudou (2026)

Cólicas: O Conceito Mudou (2026)

Cólicas: o conceito mudou

Durante muitos anos, quando um bebé apresentava sinais de desconforto, dizia-se simplesmente que "tinha cólicas". No entanto, o conhecimento científico evoluiu e hoje sabemos que esta explicação é demasiado simplista.

Atualmente, o foco deixou de estar apenas no intestino e passou a centrar-se no desconforto global do bebé. Este novo conceito é conhecido como Síndrome de Desconforto do Lactente (Infant Distress Syndrome) e procura compreender o bebé na sua totalidade, considerando fatores físicos, emocionais e ambientais.


O que realmente mudou?



A principal mudança não foi apenas a substituição do nome "cólica". O mais importante foi a forma como passámos a compreender o desconforto do bebé.

Antes, acreditava-se que este desconforto tinha origem quase exclusivamente em problemas intestinais, como gases ou dificuldades digestivas. Hoje, sabemos que o bebé pode estar a manifestar diferentes necessidades e que o seu desconforto resulta frequentemente da combinação de vários fatores.




A resposta não estava apenas na barriga

Embora o sistema digestivo possa contribuir para o desconforto, atualmente sabemos que é apenas uma parte da história.

Diversos fatores podem estar envolvidos, entre eles:

  • Imaturidade neurológica;
  • Dificuldade na regulação do sono;
  • Processo de adaptação ao ambiente extrauterino;
  • Temperamento individual do bebé;
  • Qualidade da interação entre o bebé e os cuidadores.



Quando se considera Síndrome de Desconforto do Lactente?

Os critérios atualmente utilizados incluem:

  • Bebés com menos de cinco meses de idade;
  • Episódios recorrentes de irritabilidade ou agitação;
  • Ausência de uma causa evidente identificada pelos cuidadores;
  • Exclusão de doenças que possam justificar os sintomas, após avaliação clínica.

Ao contrário do que acontecia anteriormente, já não é necessário contar as horas de desconforto para considerar este diagnóstico. O objetivo é compreender o sofrimento do bebé e o impacto que este tem na família.


Como ajudar o bebé?

Não existe um tratamento milagroso para a Síndrome de Desconforto do Lactente. O acompanhamento deve ser individualizado e centrado tanto no bebé como na família.

As principais estratégias passam por:

  • Acolher e orientar os pais com informação clara e apoio emocional;
  • Excluir doenças orgânicas através de avaliação clínica quando necessário;
  • Ensinar estratégias de conforto, sono e criação de rotinas;
  • Avaliar a possibilidade de alergia alimentar quando existir suspeita;
  • Fortalecer a relação entre o bebé e os cuidadores;
  • Em casos selecionados e após avaliação profissional, considerar o uso de Lactobacillus reuteri DSM 17938.

Conclusão

O conceito de "cólicas" evoluiu porque hoje compreendemos melhor o desenvolvimento do bebé e a complexidade do seu desconforto. Em vez de procurar apenas uma causa intestinal, passámos a olhar para o bebé de forma global, considerando o seu desenvolvimento neurológico, o ambiente em que vive, a relação com os cuidadores e o bem-estar de toda a família. Esta abordagem permite prestar cuidados mais adequados, promover uma maior tranquilidade aos pais e responder de forma mais eficaz às necessidades do bebé.